
Leandro tinha uma vida chata e comum. Trabalhava feito um jumento, carregando milhões de obrigações nas costas de segunda a sábado. Leandro, quando saia do seu emprego de administrador de uma loja de autopeças, no sábado a tarde, ia para casa tirar uma soneca, então a noite saia beber e se divertir com os amigos, atrás de mulheres. Teve algumas namoradas pelo caminho, mas por nenhuma delas foi tão apaixonado quanto foi por Alessandra.
Loira, alta, independente, sincera, alegre, carente, aconchegante, feliz, natural, divertida, gostosa, sensacional. Era tudo. Leandro dizia ter encontrado a mulher da sua vida, e constantemente fazia planos de casar e ter filhos com Alessandra. Foram felizes por dois intensos anos até que pequenos detalhes começaram a saltar aos olhos do homem, que antes convicto, passou a ser paranóico.
Algum dia tentou desabafar com seus amigos dizendo que ela, a mulher da sua vida, estava fazendo errado, que ela, dia mais dia, descuidada pela repetição do ato, deixava transparecer um gosto que estragaria os planos dele. Os amigos o mandaram relaxar, mas já era tarde, uma linha havia sido cruzada.
Por todos os lugares que andava acompanhado de Alessandra, Leandro percebia que seu amor estava olhando demais para outras mulheres. E começou a desconfiar. Dizia para si mesmo que não era tão ruim, pois que ela deve ter curiosidades que mulheres tem, e logo era um pisoteio em seu cérebro com a possibilidade de não estar sendo homem suficiente para ela na cama. Naquela briga em sua alma, a paranóia encontrou terreno fértil.
A noite do aniversário dele fora uma tentativa de encontro romântico que acabou em uma discussão porque umas gotas de vinho respingaram em sua nova camisa. Dormiram de nádegas grudadas. No dia após, nova briga por motivo besta, mas nesta Leandro respirou fundo e disse algo que não teria dito (pensando como ele nos tempos que eram felizes). Disse a ela com agressividade, disse que ela estava traíndo, e pior, ou sei lá, emendou, com outra mulher. Ela riu, a paranóia dele se ofendeu. Mandou ela embora.
Passaram-se três dias e Leandro rastejou para Alessandra, desculpas aceitas, voltaram a ser felizes por umas semanas. Até que, alguém que estava em soneca, ela mesmo, a paranóia do Leandro, voltou com tudo.
Leandro foi buscar ela. Entrou, e como de costume foi procurá-la sem avisar da sua chegada. Chegou ao quarto dela, abriu devagarinho a porta, e então, lá estava Alessandra, nua, e ao lado tirando uma última peça de roupa, uma amiga dela. Bateu a porta, correu pro carro, sumiu da vida de Alessandra.
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Três anos de sofrimento e depressão levaram Leandro para uma vida que jamais tinha imaginado para si. Era agora, respire para não perder o fio da meada, leitor, Leandro era agora homossexual. Devastado pelo antônimo da auto-confiança, foi aos poucos frequentando lugares diferentes do seu gosto habitual, acabou por encontrar Flávio, um amigo de infância que não via há mais de quinze anos, eis que Flávio foi sua porta de entrada para um mundo colorido e gay.
Administrador de loja que fora, vitrinista que começou a ser. Travalhava agora no shopping e era amiga de todas as mulheres, e companheiro de todos os homens. Frequentemente era possível ver Lê (Lezinho) com o dedo na boca, cintura arrebitada, analisando seu trabalho na vitrine.
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Quase não lembrava da época em sua vida que Alessandra fez parte, quase não recordava dela, e de tudo o que aconteceu. O quase era tão pequeno que quando a viu não recordou de muita coisa. Quando a viu, o agora brilhante Lezinho a olhou de cima a baixo, e foi ao ouvido de Rob, seu assistente, cochichar algo. Após uma nova olhada na região glútea de Alessandra, Lezinho repetiu o que havia dito ao assistente, mas agora para si, com voz amena: “Que vestido cafona!!!”.
A moral da história, nobres lutadores da batalha do dia a dia, é velha e conhecida dos senhores, com uma pequena adaptação. Escrevo-lhes assim: quem gosta de pinto, és viado; mulher gosta é, de comprar sapato, vestido, maquiagem, lingerie, meia-calça, lenços, chapéus, botas, calças, blusas, e principalmente, anéis com diamantes.