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Por que um trem carregado de biodiesel atravessou a fronteira EUA / Canadá 24 vezes sem descarregar?

Um trem carregado de biodiesel fez um viagem um tanto estranha na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá. A composição totalizou 28 viagens entre 15 e 28 de junho de 2010 e não descarregou sua carga em nenhuma delas. Ninguém iria descobrir se CBC News do Canadá não tivesse investigado.

Segundo o operador da linha, a CN Rail, eles somente seguiram ordens do cliente, que por Lei, são obrigados a cumprir. Então por que o trem ia e vinha?

A empresa dona da carga, Bioversal Trading Inc e sua contraparte nos EUA, Verdero, negociavam a carga cada vez que ela cruzava a fronteira. A importação e exportação sucessiva do mesmo objeto servia para ganhar RIN’s (uma espécie de créditos de conservação devido ao comércio de combustíveis renováveis) quando o trem entrava nos Estados Unidos. Tais RIN’s deveriam ser retirados da empresa quando a carga voltava pela fronteira, mas por algum erro do sistema, isso não acontecia.

Usando-se do crédito ganho, as empresas faturaram mais de $12 milhões. Os órgãos de regulação comercial dos dois países estão investigando o caso para analisar se houve fraude. As duas empresas afirmam que a prática foi totalmente lícita. [Oil Price]

Este blogueiro aproveita a oportunidade para dizer que o jeitinho brasileiro não é exclusividade dos brasileiros.

Insourcing: a indústria dos Estados Unidos volta pra casa

Depois de três décadas delegando a produção industrial para fábricas chinesas, as grandes empresas dos Estados Unidos começam a traçar o caminho inverso. O parque industrial Appliance Park da gigantesca General Eletric em Louisville, KY, está voltando a ativa depois de 14 anos parado. Aberto em 1951, o local atingiu o pico da sua força de trabalho em 1973, com 23.000 empregados. Nove anos depois, em 1984, o número de trabalhadores já era menor que os 16.000 que trabalhavam no local em 1955. A queda se sustentou e em 2003 o superstar CEO Jack Welch sugeriu que o local, que tem seis mega barracões industriais, fosse fechado. Em 2008, o CEO atual, Jeffrey Immelt, tentou vender a propriedade, sem sucesso por causa da crise.

A aparente desistência da GE quanto ao Appliance Park sofreu uma reviravolta nesse ano, em 10 fevereiro começou a funcionar uma linha de montagem nova em folha no prédio de número dois, para produção de aquecedores de água de última tecnologia. Logo em março, 39 dias depois, outra linha de montagem começou a funcionar, dessa vez no prédio de número cinco. Além dessas linhas já em funcionamento, a GE irá abrir outras duas em 2013, nos prédios um e três.

A volta do mundo dos mortos, galpão por galpão, é um reflexo de um movimento que ganha força nos Estados Unidos, o insourcing, que é o contrário do outsourcing (terceirização). As empresas começam a se interessar em trazer de volta para casa suas linhas de montagem, e não existe nada tão eficaz além das vantagens financeiras operando para que isso aconteça:

  • Em 2000, por exemplo, o custo do petróleo era três vezes menos, e por isso o frete de um navio para atravessar o pacífico era muito mais barato.
  • Os Estados Unidos estão no meio de um boom de gás natural, tornando a operação de indústrias, que usam muita energia, mais barata.
  • O trabalhador de fábrica na China está ganhando cinco vezes mais do que ganhava no ano 2000, em média. E espera-se um aumento de pelo menos 18% ao ano.
  • Sindicatos dos EUA resolveram abrir mão de muitas exigências, o que reduz o salário dos trabalhadores e permite que os empregos sejam gerados no país, e não no exterior.

A linha de produção que a GE trouxe de volta para casa foi a do aquecedor de água GeoSpring, e no planejamento da nova planta reuniram-se engenheiros numa sala para analisar o produto a fim de pensar como seria montada a linha. Houve um espanto do grupo quando olharam para o aquecedor e viram que tinha muita coisa errada, muitas partes e materiais desnecessários. Então redesenharam o produto e conseguiram cortar 25% do custo final com materiais, e além disso, um corte no tempo necessário para a produção de um aquecedor de dez para apenas duas horas.

E viram que não seria possível manter o “preço chinês” que vinham praticando, porque conseguiram derrubá-lo em 20%. De $1.599 para $1.299.

Além das vantagens competitivas adquiridas pela proximidade entre criadores do produto e o chão de fábrica, a GE conseguiu cortar o tempo de entrega “fábrica – déposito” de 5 semanas (4 semanas num navio e 1 semana na alfândega) para apenas 30 minutos.

E a GE não é a única a se arriscar no insourcing. A Whirlpool está trazendo a produção de misturadores da China para Ohio, a Otis trouxe a produção de elevadores do México para a Carolina do Sul, entre outros exemplos. Até a Apple surpreendeu quando em alguns dos nos novos iMacs que começaram a ser vendidos na última semana pode ser lido “Assembled in USA” (montado nos Estados Unidos).

O Appliance Park vai fechar este ano com 3.600 empregados, 1.700 a mais que no ano passado. Há mais de uma década que o local não gerava tantos empregos. A GE também contratou 500 novos designers e engenheiros de 2009 até hoje, para dar suporte às novas operações. A atividade da GE em Louisville já atraiu fornecedores para a área, como a Revere Plastics Systems, que abriu uma planta em que trabalham 195 pessoas em três turnos.

Só o futuro vai dizer se a atual onda de insourcing veio para ficar. O que dá para adiantar é que a experiência da GE com o GeoSpring está valendo o dinheiro investido, e se o dinheiro vale a pena…

[Texto baseado na excelente matéria do The Atlantic]

Em caso de problemas com o pouso lunar de 69

[bitsandpieces]

A dor de cabeça de $2 trilhões é maior ou menor que a de $16 trilhões?

Estou assistindo o documentário “proibido” sobre Paul Tudor Jones (logo após a exibição do programa, o bilionário Tudor mandou a rede de TV parar de exibir e foi atrás de todas as cópias do vídeo) e me deparei com essa manchete de 1986.

26 anos depois a dívida dos EUA já é de quase 16 trilhões. Foi justamente na década de 80 que os EUA começaram a gastar como se não houvesse amanhã.

É o maior devedor do planeta, mas todos confiam que um dia ele vai pagar. Até porque se não pagar, quem é que vai ter coragem de cobra-lo?

 

Não temos Petróleo, né?